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SFB PRODUZ SISTEMA DIGITAL PARA IDENTIFICAÇÃO DE MADEIRAS
- Por Álefe Viana
- Data: 25/02/2010
Esses caracteres podem ser identificados a olho nu ou com o auxílio de instrumentos simples e de baixo custo. Depois de identificada, é possível descobrir se a espécie está ameaçada de extinção, se pode ser comercializada no Brasil e no exterior, onde pode ser encontrada no país, entre outras informações. Em fevereiro, o sistema está sendo testado por órgãos de fiscalização e institutos de pesquisa.
Depois desse período, ele será finalizado e distribuído em CD-ROM e, a partir do segundo semestre de 2010, o sistema estará disponível na internet. Os principais beneficiários do sistema Madeiras Comerciais do Brasil devem ser a Polícia Federal e o Ibama, que têm recebido treinamento do LPF para identificação de madeiras. O sistema também será especialmente útil na fiscalização do transporte de madeira ilegal, já que uma fraude comum é declarar o nome de uma espécie na nota e transportar outra. As indústrias florestais também se beneficiarão com o programa, que facilitará o trabalho dos técnicos responsáveis pelo manejo florestal, mesmo quando estiverem em campo.
Eles poderão identificar rapidamente se uma espécie encontrada está em extinção ou se está entre as mais comercializadas, pois o sistema pode ser instalado em um computador portátil . Os nomes populares também podem ser usados para auxiliar no reconhecimento das espécies. O Sistema foi elaborado com base no software Delta para catalogar organismos vivos desenvolvido pelos pesquisadores australianos Mike Dallwitz, Tone Paine e Eric Zurcher. Fonte: Serviço Florestal Brasileiro, em SBEF News.
Fonte: Sociedade Brasileira de Silvicultura
Tecnologia de Microondas na Secagem de Madeira
- Por Álefe Viana
- Data: 24/02/2010
A secagem da madeira é um dos pontos entre os que causam impactos na produção e comercialização deste produto de grande relevância para economia e imprescindível na construção civil, no setor moveleiro e em outros segmentos. Mesmo com os avanços tecnológicos, na prática a secagem ainda encontra pontos críticos que trazem problemas constantes aos madeireiros. Necessário se faz debater o assunto e avaliar novos conceitos que tragam evolução ao setor.
O desafio na secagem de madeira é retirar a sua umidade de forma adequada e em índices específicos para a sua conservação e utilização. O processo não deve causar impactos que possam agredir a estrutura e a natureza das árvores, acarretando grandes variações na madeira , provocando defeitos e prejudicando o valor final . Realizar uma boa secagem significa promover a melhor drenagem para manter a estabilidade dimensional do substrato e obter qualidade de maneira produtiva.
Para a equipe da Ghandehr, empresa que desenvolveu a tecnologia para tratamento de madeira por microondas e desenvolveu um sistema de secagem para utilização complementar nas estufas convencionais, os equipamentos para secagem artificial atualmente no mercado estão, em geral, baseados em projetos antigos, com tecnologia superada, operações inadequadas e procedimentos empíricos.
O engenheiro Oscar Gandofi, diretor técnico da Ghandehr e responsável pelo desenvolvimento do novo sistema, destaca as propriedades das microondas e a composição química da madeira para demonstrar as principais vantagens deste novo sistema de secagem.
Entre as características da ação das microondas, uma delas é o aquecimento do substrato de dentro para fora, o que gera o calor diretamente no núcleo da madeira. É um processo rápido e com possibilidades de ajustes de potência. A aplicação das microondas ocorre de forma homogênea, não havendo perda de energia para o ambiente. Uma propriedade importante da ação das microondas é a provocação do momento dipolo. É um fenômeno que age nas moléculas de um substrato e promove a inversão frequencial de polaridade. Isto significa a troca, alternadamente e a grandes velocidades, de sinais dos ions positivos e negativos dos componentes da madeira. Ocorrem, então, o alinhamento da estrutura lenhosa, o atrito entre as moléculas e o calor interno. Cria-se pressão osmótica, agindo como se fosse um êmbolo interno empurrando a água para a periferia. Estes fatores contribuem fortemente para a expulsão da água interna das fibras da madeira para a superfície, facilitando a drenagem e, assim, o processo de secagem. Resultado:melhor qualidade, menos perda de madeira.
Pode-se afirmar que o sistema promove grande estabilidade da madeira, reduzindo em até 80% os problemas de trincas e empenos. Há também eliminação de fungos, bactérias e insetos e maior retenção dos preservativos. Alem disto, o sistema permite a redução do custo de energia elétrica em até 42%".
Origem
Apesar de ser tecnologia relativamente recente no Brasil, o conceito inicial de uso das microondas não é tão novo. Desde a sua descoberta, os cientistas procuram aplicações para a área industrial das microondas. Processos como imobilização enzimática (em cereais), secagem, descongelamento e cozimento de alimentos, esterilização de frutas e equipamentos, cura de resinas sintéticas e outras aplicações estão sendo desenvolvidas nos últimos 50 anos. A secagem de madeira por microondas já é realizada em países da Europa, na Austrália e na Malásia. A Ghandehr desenvolveu o “Wawdry System” para tratamento e secagem, que está em aplicação no Brasil. A empresa considera que o maior desafio foi confeccionar um equipamento de alta produtividade com custos bem menores que aqueles de outros países.
Mesmo com todas as vantagens apontadas e constatadas por madeireiras que já implantaram o sistema, a secagem por microondas ainda não é muito conhecida pelos empresários do setor. Tecnologia nova, com novos procedimentos, pede mudanças de conceitos para a sua implantação. Uma das dúvidas mais freqüentes é se o sistema modifica as propriedades da madeira. A resposta é sim e as modificações são benéficas, pois o alinhamento das fibras ocasionado pela ação das microondas facilita o fluxo da água entre as fibras, agilizando a secagem, e simplifica a aplicação dos preservativos. Também é favorável na colagem de estruturas, pela maior ancoragem dos produtos aplicados. Outra questão bastante freqüente é quanto à segurança do equipamento e das operações. Segundo a empresa, este aspecto também foi levado a sério desde a elaboração do projeto dos componentes e do equipamento, até a sua construção, a instalação na fábrica do cliente e mesmo no treinamento que é dado aos operadores. Os equipamentos têm vários dispositivos que eliminam todos os riscos. O sistema da Ghandehr em funcionamento traz vantagens em sua implantação para todas espécies de madeira nativas.
*Texto elaborado a partir de artigo da Revista Referência, edição Setembro 2005, que relatou a palestra do Engenheiro Oscar Gandolfi no IBRAMEM - Instituto Brasileiro da Madeira e Estrutura de Madeira, da Escola de Engenharia de São Carlos /USP, em Agosto 2005. in: ghandehr.com.br
XII Encontro Brasileiro em Madeiras e em Estruturas de Madeira
- Por Álefe Viana
- Data: 5/01/2010
O Encontro bi-anual do EBRAMEM, criado em 1983 juntamente com o IBRAMEM (Instituto Brasileiro da Madeira e das Estruturas de Madeira), vem se transformando em um importantíssimo evento para os profissionais e pesquisadores do setor madeireiro e florestal.
Em seqüência às onze bem-sucedidas edições do EBRAMEM anunciamos o XII EBRAMEM, a realizar-se na Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais, entre os dias 25 e 28 de julho de 2010.
O evento terá uma renovada oportunidade de unir pesquisadores para apresentar os avanços alcançados no último biênio e para formular os desafios a serem enfrentados no campo da Ciência e Tecnologia da Madeira. Neste aspecto, a madeira será destacada como material que associa características tecnológicas notáveis com comportamento ambiental adequado às demandas contemporâneas de eficiência energética, estoque de carbono e sustentabilidade.
Para mais informações acesse:
http://www.xiiebramem.ufla.br
Espero você lá!

Velho gigante ameaçado
- Por Álefe Viana
- Data: 8/12/2009
O tempo sempre deixa suas marcas. Com mais de 600 anos, a enorme tanimbuca que dá nome a uma ilha no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, precisa de ajuda humana para seguir vivendo. Segundo o especialista alemão Frank Rinn, quase metade do "corpo" da planta está comprometido, principalmente pela ação de fungos nas porções mais interiores.

Fonte: Arquivo INCT/INPA
As conclusões do pesquisador foram obtidas com a ajuda de onze sismógrafos, aparelhos que medem tremores de terra, e aplicativos especiais de computador. Depois, vibrações provocadas por pequenos golpes de martelo foram captadas pelos aparelhos e revelaram a saúde da árvore.
O equipamento
Segundo o Dr. Estevão, o equipamento, que é na verdade, um tomógrafo portátil, mostrou ser uma ferramenta muito eficiente para o desenvolvimento das pesquisas do INCT, e pode ser aplicado tanto para os estudos de tecnologia da madeira como para aqueles de manejo florestal.
Os resultados obtidos permitem que se
conheça a fisionomia de uma espécie arbórea sem que seja
necessária a derrubada da mesma, ou intervenções
profundas em sua estrutura. De acordo com o Sr. Frank
Rinn, este tipo de análise tem sido muito utilizado em
comunidades e vilas européias para o controle e
acompanhamento de árvores milenares que são consideradas
patrimônio históricos locais.

Fonte: Portal do INCT Madeiras e O Eco.
As maiores árvores do mundo
- Por Álefe Viana
- Data: 8/12/2009
Quando cheguei ao King’s Canyon
National Park, na Califórnia (EUA), não tinha a menor
ideia de como seria ficar frente a frente com árvores chamadas “redwoods” – ou
sequóias, como são mais conhecidas no Brasil.
Elas são, para começar, as maiores, mais largas e antigas árvores da Terra.
Impossível não se impressionar com um ser vivo que pode chegar a ter a altura
de um prédio de 30 andares (o edifício da Editora Abril, na marginal Pinheiros,
em São Paulo, tem 24). Um carro inteiro pode caber dentro de sua base. Redwoods
podem chegar a até 3.500 anos de idade – são verdadeiras testemunhas das
inúmeras transformações do planeta e das civilizações.
Ao nos depararmos com elas, penetramos em um mundo de silêncio quase meditativo
e podemos inclusive intuir que ainda temos muito o que aprender. Digo isso
porque um momento de reflexão, nem que seja mínimo, tem de fato grandes chances
de acontecer – a não ser que o visitante esteja com o pensamento em outro lugar
que não na gigante à sua frente.
Existem três diferentes espécies de redwoods: Giant Sequoia - em português, Sequoia Gigante - (Sequoiadendron giganteum), encontrada em Sierra Nevada, Califórnia; Coast Redwood (Sequoia sempervirens) do sul de Oregon até Big Sur, também na Califórnia e Dawn Redwood (Metasequoia glyptostroboides), redescoberta pela ciência em território Chinês – acreditava-se que não passava de um fóssil da Era Mesozóica até a descoberta de um “exemplar” em 1944. A confirmação como redwood veio em 1948 pelos pesquisadores Wan Chun Cheng e Hu Hsen Hsu. Ela chega a ter até 45 metros de altura e é a menor das três espécies.

Foto do King´s Canyon National Park.
Crédito: Karina Miotto
Gigantes intrigantes
Redwoods são seres intrigantes. Para começar, podem viver por milênios. São
enormes – uma delas, denominada Hyperion, é a árvore mais alta do mundo, com
115.55 metros.
Foi
encontrada no Redwood National Park, na Califórnia.
Enquanto Coast Redwoods são imbatíveis na altura (muitas passam dos 106
metros), Giant Sequoias ganham em volume e podem chegar a ter 8 metros de
diâmetro. A mais famosa delas a General Sherman, que pode ser vista no Giant
Forest of Sequoia National Park (EUA). Estima-se que tenha 2.700 anos.
Estas árvores são extremamente resistentes. A casca e o cerne não sucumbem a
insetos e fungos que provocam apodrecimento porque possuem compostos chamados
polifenóis. Muitas redwoods resistem inclusive ao fogo. Isso acontece porque
quase não há resina em sua casca. O fogo, aliás, é um aliado: o calor vai às
alturas, favorecendo a quebra dos cones que atuam na reprodução da espécie. –
que conta, aliás, com vários pormenores.
Quando o tronco é cortado, o topo se rompe ou até se um de seus galhos cai, um
novo galho brota do local ferido e não demora a crescer. Com o passar de tanto
tempo, convenhamos, muitos galhos acabam naturalmente caindo no chão, a árvore
sofre ferimentos e o resultado disso é que, em volta dela, passa a existir um
grupo de novas redwoods. A dispersão de sementes também ajuda na reprodução:
uma Giant Sequoia madura pode espalhar de 300 a 400 mil por ano.
Redwoods são adaptáveis a diversos vai-e-vem climáticos: resistem a temperaturas extremas no inverno e no verão. Por falar em clima, ele varia bastante ao longo de toda a estrutura (também pudera, 100 metros de altura não são 1,50). O frescor e a umidade predominam quanto mais perto do solo, dando lugar ao vento e à secura na proximidade da copa. "Isso acontece porque são altas e possuem diferenças relevantes em níveis de iluminação, temperatura e umidade do topo à base”, explica o arborista norte-americano Scott Altenhoff.
Copa de redwoods possuem muita biomassa. Há diversas espécies de plantas e animais que vivem lá em cima: de aves, roedores e insetos a esquilos planadores. É preciso ter cuidado ao chegar à copa para não danificar este tanto de vida. Redwoods também provém habitat para animais que vivem no chão: de mamíferos e aves a répteis e anfíbios.
Para completar a lista de detalhes um tanto quanto incomuns a outras espécies, vale contar uma história do passado: na virada do século, devido à sua longevidade, redwoods eram chamadas de “para sempre redwood”. Em Latim, “sempervirens” significa “sempre verde” ou “eterno”. Uma coincidência que define muito bem a sensação de estar frente a frente com um ser vivo que pode ter nascido bem antes do início da era cristã.
Revoluções e reflexões
Coast Redwoods possuem uma das madeiras mais valorizadas da Califórnia devido ao volume, à beleza, à resistência ao poder do tempo e, na maioria das vezes, ao fogo. Não à toa, nos Estados Unidos existem plantações com manejo para produção de madeira. O maior desmatamento já registrado no país aconteceu depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje restam menos de 5% dos 40 mil hectares de floresta virgem, a maior parte em reservas e em parques nacionais e estaduais. Pouquíssimo comparado com o território original.
A julgar pela quantidade ínfima de redwoods atualmente, não fica difícil concluir que sua proteção não veio fácil e nem rápido. Em 1918, a sociedade civil criou a Liga Salve as Redwoods, um importante movimento que iniciou os debates pela proteção destas árvores. Cinqüenta anos depois, em 1968, o congresso americano, pressionado por líderes sociais, criou o Redwood National Park.
Na década de 90, quando o desmatamento não dava muita trégua e conversas burocráticas não ajudavam a persuadir ninguém, ambientalistas partiam para o “tree sit” como último recurso para salvar as redwoods. Arriscavam as próprias vidas, subiam nelas e lá passavam uma semana ou pouco mais em plataformas improvisadas cobertas de lona numa tentativa de chamar atenção para a derrubada.

Texto de Karina Miotto - jornalista ambiental e autora do blog Eco-Repórter-Eco
Afinal, quanto carbono uma árvore sequestra?
- Por Álefe Viana
- Data: 8/12/2009
Diante dessa dúvida, fomos a campo para verificar com quanto contribuímos para fixação de carbono a partir do plantio de espécies nativas da Mata Atlântica. O trabalho, publicado agora pela revista Metrvm, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP), avalia os modelos de biomassa florestal e o teor de carbono de espécies nativas amplamente utilizadas em áreas de restauração florestal no Estado de São Paulo.
O modelo gerado estima o carbono fixado pelas árvores num horizonte de 20 anos, tendo como variável dependente o diâmetro das árvores. Ou seja, agora, para povoamentos de Mata Atlântica semelhantes aos medidos, pode-se estimar o teor de carbono fixado pelas árvores a partir de uma simples medição de diâmetro delas. Porém, para que o modelo apresente uma confiabilidade maior, será necessário que sejam feitas remedições bianuais, nas mesmas árvores, para que o modelo seja constantemente ajustado e seu grau de confiabilidade vá aumentado com o tempo.
Na etapa do projeto já desenvolvida, além da coleta de amostras para análises laboratoriais, de carbono e densidade básica, foram também medidos outros elementos, como o diâmetros e o comprimento do tronco das árvores, e o peso da madeira e das folhas. Foram avaliadas áreas de quatro reflorestamentos distintos implantados entre 2000 e 2005 no estado de São Paulo.
Os resultados mostram que há grande variação no crescimento das florestas plantadas com essências nativas. Além de aspectos de clima e solo locais, essas diferenças se devem aos tratos culturais recebidos pelas plantas e à qualidade das mudas plantadas.
O material genético também faz diferença, visto que, em cada região, os plantios foram executados por diferentes instituições. Não obstante, cada região tem uma idade de plantio distinta da outra, o que acaba impossibilitando a definição de uma curva de crescimento comum.
Os cálculos resultaram numa estimativa média de 249,60 quilogramas de CO2 equivalente fixados, até o vigésimo ano, pelas árvores amostradas. Porém, dadas todas as restrições da pesquisa, aliadas ao fato de a curva de crescimento das árvores provavelmente não ser linear, concluiu-se que esse indicador poderia estar superestimado. Para que pudesse ser feito um cálculo mais exato seria necessário acompanhar a curva de crescimento das árvores por mais tempo. Como indicado acima, esse acompanhamento já está previsto na continuidade da pesquisa.
O problema é que a demanda por um índice de compensação de CO2-equivalente é imediata, sendo necessário agora um número para balizar as conversões feitas no Brasil.
Assim, com uma atitude conservadora, foram adotados os resultados identificados na pior amostra observada (na região de Valparaíso-SP), tendo sido projetada a captação de 140 kg CO2-equivalente por árvore aos 20 anos de idade. Desse modo, enquanto não dispusermos de uma curva de crescimento totalmente confiável, podemos trabalhar com o número de 7,14 árvores da Mata Atlântica para compensar cada tonelada de CO2-equivalente emitida.
Texto de Jeanicolau de Lacerda - consultor em negócios florestais da KEYASSOCIADOS
Diversidade das madeiras amazônicas é mal explorada
- Por Álefe Viana
- Data: 30/11/2009
Diversidade das madeiras amazônicas é mal explorada, aponta pesquisador
A valorização excessiva de algumas madeiras amazônicas, como o mogno, o cedro e o ipê, está prejudicando a floresta e desperdiçando seu potencial econômico. Quem faz o alerta é o pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) Fernando Almeida, que estuda as melhores formas de aproveitar esse recurso natural.
Segundo ele, já foram identificadas pelo menos 150 espécies madeireiras com valor comercial, que podem ser exploradas de forma controlada, sem prejudicar a floresta. Contudo, o comércio tem interesse em apenas 15 espécies, o que causa uma superexploração dessas árvores.
“Muitas desssas espécies já estão escassas na floresta”, afirma o pesquisador. Segundo Almeida, há muitas árvores com potencial comercial que ainda precisam ser mais divulgadas. “Temos que tentar colocar em equilíbrio a oferta e a procura”. O número de 150 árvores exploráveis ainda é pequeno. Apenas na xiloteca (arquivo de madeiras) do Inpa, há cerca de 3.000 tipos de madeira catalogados.
Fonte: Globo.com
Fibra do Açaí vira papel
- Por Álefe Viana
- Data: 31/10/2009
Um estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) constatou que o açaí, fruto de cor arroxeada nativo da Amazônia, tem propriedades que vão muito além de seu sabor exótico, amplamente associado ao preparo de sucos, sorvetes, geleias e doces. A partir da fibra obtida durante o processo de limpeza do caroço, os pesquisadores conseguiram fabricar um papel de qualidade com cores e texturas variadas que pode ser usado para diversos fins. Além de aproveitar resíduos que acabam indo para o lixo, a iniciativa busca transferir conhecimento às pessoas que trabalham com a produção do fruto, proporcionando a elas novas oportunidades de negócios.
De acordo com a responsável pelo Laboratório de Celulose e Papel do Inpa, Marcela Amazonas, o papel é produzido a partir dos pelos do açaí(1) descartados pela indústria amazonense e por cooperativas que extraem o óleo da fruta. "Duas grandes cooperativas do estado, por exemplo, chegam a jogar fora mais de 20t de resíduos por mês", informa, lembrando que o consumo da fruta no estado é elevadíssimo. Segundo ela, o caroço da fruta já é utilizada por artesãos para a fabricação de colares, brincos e outros objetos.
Com a produção do papel, criou-se também uma utilidade para as fibras. O laboratório costuma receber o caroço inteiro (ainda não limpo) ou o próprio pelo do açaí já separado, enviados por cooperativas que já conhecem o trabalho do instituto. Segundo Marcela, a produção não é complexa nem utiliza aditivos químicos. "Desenvolvemos um produto simples, pois sabemos que o projeto poderá ser adotado por comunidades que têm pouca infraestrutura à disposição", destaca. O processo de produção começa com a mistura das fibras com água. Batida, a mistura vira uma pasta, denominada celulose. Essa massa segue, então, para uma máquina conhecida como formadora de papel, que vai sugar toda a água e dar forma à folha (veja arte).
"Também testamos a produção artesanal, com o auxílio de telas, e o mecanismo também funcionou", afirma. Impressão, produção de embalagens ou papelão. São inúmeras as opções de uso do papel produzido pelo Inpa. Marcela diz que o material também passa por uma bateria de análises que irão comprovar sua qualidade. A cor também varia de acordo com a finalidade. "Ao contrário do que muitos pensam, o processo também pode originar o papel branco, semelhante ao convencional", diz. A aceitação do produto é tão grande que arquitetos da região estão procurando o Inpa para utilizá-lo na decoração de interiores. "O papel tem uma textura semelhante ao mármore e ao granito, por isso chama bastante a atenção. Há designers e gráficas que também estão se mostrando interessados em adquiri-lo para a aplicação em capas de livros", revela a pesquisadora.
Flores
Assim como o pelo do açaí, outros materiais podem ser utilizados na fabricação de papel artesanal. A cooperativa Mulheres de Fibra, de Nova Olímpia (MT), a 198km de Cuiabá, por exemplo, dedica-se à produção de flores artificiais a partir do papel produzido com o bagaço de cana-de-açúcar. Para dar forma a lírios, margaridas e bromélias, a entidade conta com o trabalho de 20 mulheres. "O bagaço é cozido, alvejado, lavado, tingido e passado na peneira. Depois ele seca ao sol, é prensado e cortado nos modelos das flores", explica Maria Helena Alves, presidenta da cooperativa, fundada em 2002. O sucesso é tão grande que as flores são exportadas para diversos países, entre eles os Estados Unidos e o Canadá. "No Brasil, quase todos os estados também compram as nossas flores", completa Maria Helena. Para ela, além de uma nova perspectiva de vida para as pessoas envolvidas, o trabalho contribui para a redução de resíduos no planeta. "Acredito que seja uma ação conjunta. Se cada um fizer um pouco, a situação do lixo no planeta com certeza melhorará", destaca.
O Departamento de Artes da Universidade de Brasília (UnB) também mantém projetos semelhantes, voltados para o uso de resíduos que antes iriam se acumular nos aterros sanitários. Um deles utiliza bitucas de cigarro para a produção de papel. "O material recolhido é processado quimicamente. O filtro de cigarro que iria para o lixo vira celulose", explica a professora Therése Hofmann, doutora em desenvolvimento sustentável. Outra iniciativa da universidade utiliza o dinheiro descartado pelo Banco Central todos os meses, cerca de 10 toneladas. "Com isso, fazemos capa de agendas, cadernos, folders e pastas para congressos", revela. Usos variados Também conhecido como juçara, o açaí cresce em cachos de uma palmeira chamada açaizeiro. A espécie é nativa da Amazônia. A polpa é muito usada na culinária e pode ser consumida das mais diversas formas: suco, geleia e sorvete. Além disso, a fruta também é apontada como uma fonte de proteínas, fibras, lipídios, fósforo, ferro e cálcio.
Fonte: Correio braziliense
Pneus feitos com celulose são melhores e mais baratos
- Por Álefe Viana
- Data: 19/10/2009
Mas pesquisadores da Universidade do Estado do Oregon, nos Estados Unidos, estão fazendo algo parecido com isso. Só que, em vez de estarem perdendo o juízo, podem estar ajudando a criar uma solução para um dos maiores problemas ambientais já criados pelo homem: os pneus de automóveis.
Pneus com celulose
O professor Kaichang Li e sua equipe descobriram que a celulose microcristalina - um produto que pode ser fabricado facilmente a partir de qualquer tipo de planta - pode substituir uma parte da sílica como carga de preenchimento na fabricação de pneus.
Eles comprovaram em escala de laboratório que o uso da celulose na fabricação dos pneus diminui a energia consumida no processo produtivo, reduz os custos e produz um pneu mais eficiente quando rodando em asfalto quente, como nos dias de verão.
A celulose já vem sendo utilizada como reforço em alguns tipos de borracha e outras peças automotivas, incluindo cintas, mangueiras e mantas de isolamento - mas nunca em pneus, onde os chamados fillers preferidos são a sílica e o negro de fumo. O lado negativo desses dois materiais é que eles são muito densos e reduzem a eficiência dos automóveis no quesito consumo de combustível.
Celulose microcristalina
A celulose microcristalina está se mostrando uma alternativa promissora. Ela pode ser produzida por meio de um processo de baixo custo, chamada hidrólise ácida, usando a celulose, o polímero natural que representa entre 40 e 50% de toda a massa da madeira.
Os pesquisadores já conseguiram substituir até 12% da sílica usada na fabricação dos pneus, mantendo todas as suas características de resistência, flexibilidade e tração. A única variação detectada foi para melhor: sob altas temperaturas, a resistência ao rolamento do pneu com celulose é menor da que a resistência do pneu tradicional, o que significa que os veículos consumirão menos combustível nos dias quentes.
Agora os cientistas vão começar os testes de durabilidade dos pneus com celulose. Mas eles afirmam que a tecnologia já está pronta para ser testada por qualquer fabricante de pneu em escala real.
Fonte: Inovação Tecnológica (2009).
O que são os pellets de madeira ?
- Por Álefe Viana
- Data: 13/10/2009
Os pellets
de madeira são uma fonte de energia renovável, pertencente à classe da Biomassa
e é um combustível sólido de granulado de resíduos de madeira prensado,
proveniente de desperdícios de madeira.
Os pellets de madeira para aquecimento são granulados cilíndricos com 6 a 8 milímetros (mm) de diâmetro, e com 10 a 40 mm de comprimento. São extremamente densos e devem ser fabricados com um baixo índice de humidade (abaixo de 1%), o que lhes permite serem consumidos (isto é, queimados) com uma elevada eficiência calorífica. Para obter um rendimento óptimo, é necessário fazer uma montagem precisa do pellet utilizando diferentes tipos de madeira com elevado poder calórico. Além disso, a geometria regular e o pequeno tamanho dos pellets possibilitam uma alimentação contínua e extremamente calibrada das caldeiras que realizam a combustão dos mesmos.
A alta densidade permite um armazenamento compacto e um transporte mais econômico a longas distâncias. Eles podem ser facilmente descarregados da cisterna de um caminhão para o seu local de armazenamento nas instalações do cliente.
A energia calorífica contida nos pellets para
aquecimento é de aproximadamente 4,8 MWh por tonelada.
É um combustível limpo e eficiente, permitindo uma combustão sem fumo
e libertando menos dióxido de carbono do que qualquer outro combustível fóssil.
Libertam ainda menos monóxido de carbono que outros combustíveis.
Sendo
a matéria prima composta por subprodutos da indústria do mobiliário e
desperdícios gerados pela floresta, evita-se assim o corte de árvores,
implementando a limpeza das matas e o combate aos incêndios.
Quais as vantagens?
- É o combustível
sólido mais limpo. Devido às caldeiras de combustão altamente
eficiente desenvolvidas ao longo dos últimos anos, a emissão de compostos
químicos, como óxidos de nitrogênio (NOX), ou compostos
orgânicos voláteis, é muito reduzida, o que torna os pellets uma das formas de aquecimento menos poluentes disponíveis
actualmente no mercado;
- Devido ao tratamento na sua transformação, a umidade dos pellets
é extremamente reduzida, o que permite que a combustão seja muito
mais eficiente e liberte muito menos fumo que a lenha
normal. Além disso, o seu tamanho reduzido permite dosear unidade a
unidade a quantidade que vai ser queimada para produção de energia;
- Não é necessário cortar árvores para a sua produção, porque a matéria-prima necessária é a
serragem e os desperdícios gerados pela própria floresta;
- Como a sua matéria-prima são subprodutos da indústria do mobiliário
e desperdícios gerados pela própria floresta, o preço dos pellets tem de ser obrigatoriamente mais barato
do que os preços de outros tipos de combustíveis;
- Como consequência, os pellets reduzem a nossa dependência energética em relação ao gás e ao
petróleo;
- É uma forma sustentável
de energia. A extração da matéria-prima necessária para a sua produção tem como consequência a limpeza das
florestas, o que, por sua vez, contribui para uma grande redução do
risco de incêndios, uma vez que a matéria que ficaria ao abandono
serve apenas para atear e propagar os fogos florestais;
- Uma
tonelada de pellets produz
sensivelmente a mesma energia que uma tonelada e meia de madeira;sendo assim, eles ocupam muito menos espaço de
armazenamento;
- O seu armazenamento também é mais seguro, porque não possuem os riscos associados ao
gás e ao gasóleo: não há fugas nem perigo de explosão.
Fonte: www.pelletslar.com

