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Os santos do mato
- Por Francisco Tarcísio
- Data: 23/08/2008
- Artigos diversos
- Sem voto
Adaptado de:
Camargo, Gentil de. "O diabo e os santos do mato". A Gazeta. São Paulo, 21 de maio de 1960, suplemento Folclore.
Ameixa de frade (buncosia): vegeta nas encostas dos Andes, onde se denominam ciruelas de fraile.
Angélica (gênero Crygium): há grande variedade: exótica, de jardim, angélica do mato ou angélica cheirosa, etc.
Árvore do céu (simarubacea): de grande porte; usa-se a casca como vermífugo e contra a febre puerperal.
Árvore do paraíso (Elaegans angustifolio): segundo F. C. Hoene, é denominação errada do sabugueiro.
Árvore do rosário (Melia asederach): árvore ornamental, cinamomo.
Árvore santa: desenvolvimento médio; a casca e raízes usam-se como opilação e como vomitivo.
Babado de nossa senhora (macrosiphonia): tóxica para o gado.
Barba de são pedro (Polygala brasiliensis Marb.): expectorante e vomitiva; produz saponina; encontra-se, entre outros, nos lugares úmidos da serra do Mar.
Beijo de frade (Impatiens balsamina L): há variedades; "a água provoca diabetes" (Huascar Pereira).
Casca da virgindade (Stryphnodendron barbatimao Mart.): barbatimão, dayb - árvore; ara - agente; tumon - que aperta; árvore de boa madeira e aromática; as folhas e as cascas em cozimento têm emprego conhecido.
Casta suzana (Polemen coerulem L.): planta de jardim.
Cevada santa (Hordeum distichon Lam.): tem o mesmo emprego da cevada.
Chá de frade (Lippia pseudo-thea Schauer.): arbusto de folhas aromáticas; peitoral e estimulante.
Cinco chagas (Troposlu majus L.): comem-se os frutos em conserva e as flores cruas em saladas.
Cipó de são joão (Pyrostegia vermusta Mers.): trepadeira ornamental.
Coração de jesus (Mykamia officinalis Mart.): também conhecido como erva de sapo; anti-febril.
Coração de frade: ver cordão de frade.
Cordão de frade (Leonurus sibiricus L.): tônico, excitante, contra reumatismo.
Cordão de são francisco (Leonotis nepetaefolis R. Br.): usado contra males dos rins e histeria.
Coroa de cristo (Paliurus aculeatus Lam.): arbusto espinhoso usado para cerca viva.
Coroa de frade (das mouririas): trepadeira; as sementes são usadas como adorno.
Erva de santo agostinho (Baccharis vulneraria Bak.): sub-arbusto; vulnerário.
Erva benta (Geun urbanum): herbacea; é aromática e comível.
Erva de santa luzia (Pistria stratioles L.): cresce sobre águas estagnadas.
Erva de santa maria (Chenopodium ambrosioides, L.): sub-arbusto; vermicida, emenagogo, abortivo.
Erva de são martinho (Sauvagesia erecta L.): estomáquica e anti-febril; contra oftalmia, retenção de urina e doenças dos pulmões.
Espinheira santa (gênero Maytenus): usada contra úlcera do estômago e hiperacidez.
Espinheiro de santo antônio: arbusto da família das leguminosas.
Fava de santo inácio (Ivillea trilobata L.): trepadeira; sementes drásticas e tóxicas.
Fava divina (simarubacea):o porte das sementes livra de animais peçonhentos.
Flor de cardeal (Apomoea quamoclitis L.): tem váriso empregos medicinais; contra veneno de cobra, escrofula, reumatismo; as folhas e flores torradas dão rapé contra dor de cabeça.
Flor de santa cruz (Symplocas platyphylla Mart.): também conhecida por sete sangrias; casca e raízes amargas, febrífugas.
Flor de são joão: ver cipó de são joão.
Folhas de santana (Veronia macrophylla Less.): arbusto ornamental.
Flor de são miguel (Petrea sub-serrata Cham.): também dita flor de viúva; é ornamental.
Flor de quaresma (Tibouchina mutabilis Cogn.): diz-se ainda quaresmeira, flor dos passos; a árvore cobre-se de flores.
Fungo sagrado: cactácea do México; produz euforia e alucinações.
Melão de são caetano (Suomordica charantia L.): trepadeira; frutos amarelos de sementes vermelhas comíveis, contra reumatismo e estomáquico.
Melão de são vicente: o mesmo que melão de são caetano.
Lignum sanctum: madeira da América Central.
Palma de santa maria: gladíolo de que há várias espécies.
Pau de santa luzia (Dalbergia sp.): leguminosas; o óleo das nozes emprega-se na iluminação.
Pau de santo (Cabralea cangerana Sald.): o mesmo que cangerana, de que há várias espécies; boa madeira.
Pau de são josé: o mesmo que pau de santo.
Quina de santa luzia (do gênero Exostema): inscreve-se na variedade de quinas com igual emprego.
Rosa de jericó (Odontospermum pygmaeum L.): a roseira é sub-arbusto; símbolo religioso.
Rosa de nossa senhora (Paeonia officinalis L.): arbusto conhecido também por peônia; ornamental, aromático, medicinal.
Sacra-ancora: assim eram denominados o ópio e sub-produtos, devido ao seu poder sedativo, esperança e alívio de sofredores.
* * *
A cada um dos nomes há ligeiríssima referência, somente no intuito de provar sua existência e nada mais. Na classificação científica, entre outros, foram consultados Huascar Pereira, F. C. Hoene, Pio Corrêa.
É apenas sucinta amostra de influência do sentimento religioso na denominação das plantas. Observa-se o mesmo em outros departamentos da linguagem.
Camargo, Gentil de. "O diabo e os santos do mato". A Gazeta. São Paulo, 21 de maio de 1960, suplemento Folclore.
Ameixa de frade (buncosia): vegeta nas encostas dos Andes, onde se denominam ciruelas de fraile.
Angélica (gênero Crygium): há grande variedade: exótica, de jardim, angélica do mato ou angélica cheirosa, etc.
Árvore do céu (simarubacea): de grande porte; usa-se a casca como vermífugo e contra a febre puerperal.
Árvore do paraíso (Elaegans angustifolio): segundo F. C. Hoene, é denominação errada do sabugueiro.
Árvore do rosário (Melia asederach): árvore ornamental, cinamomo.
Árvore santa: desenvolvimento médio; a casca e raízes usam-se como opilação e como vomitivo.
Babado de nossa senhora (macrosiphonia): tóxica para o gado.
Barba de são pedro (Polygala brasiliensis Marb.): expectorante e vomitiva; produz saponina; encontra-se, entre outros, nos lugares úmidos da serra do Mar.
Beijo de frade (Impatiens balsamina L): há variedades; "a água provoca diabetes" (Huascar Pereira).
Casca da virgindade (Stryphnodendron barbatimao Mart.): barbatimão, dayb - árvore; ara - agente; tumon - que aperta; árvore de boa madeira e aromática; as folhas e as cascas em cozimento têm emprego conhecido.
Casta suzana (Polemen coerulem L.): planta de jardim.
Cevada santa (Hordeum distichon Lam.): tem o mesmo emprego da cevada.
Chá de frade (Lippia pseudo-thea Schauer.): arbusto de folhas aromáticas; peitoral e estimulante.
Cinco chagas (Troposlu majus L.): comem-se os frutos em conserva e as flores cruas em saladas.
Cipó de são joão (Pyrostegia vermusta Mers.): trepadeira ornamental.
Coração de jesus (Mykamia officinalis Mart.): também conhecido como erva de sapo; anti-febril.
Coração de frade: ver cordão de frade.
Cordão de frade (Leonurus sibiricus L.): tônico, excitante, contra reumatismo.
Cordão de são francisco (Leonotis nepetaefolis R. Br.): usado contra males dos rins e histeria.
Coroa de cristo (Paliurus aculeatus Lam.): arbusto espinhoso usado para cerca viva.
Coroa de frade (das mouririas): trepadeira; as sementes são usadas como adorno.
Erva de santo agostinho (Baccharis vulneraria Bak.): sub-arbusto; vulnerário.
Erva benta (Geun urbanum): herbacea; é aromática e comível.
Erva de santa luzia (Pistria stratioles L.): cresce sobre águas estagnadas.
Erva de santa maria (Chenopodium ambrosioides, L.): sub-arbusto; vermicida, emenagogo, abortivo.
Erva de são martinho (Sauvagesia erecta L.): estomáquica e anti-febril; contra oftalmia, retenção de urina e doenças dos pulmões.
Espinheira santa (gênero Maytenus): usada contra úlcera do estômago e hiperacidez.
Espinheiro de santo antônio: arbusto da família das leguminosas.
Fava de santo inácio (Ivillea trilobata L.): trepadeira; sementes drásticas e tóxicas.
Fava divina (simarubacea):o porte das sementes livra de animais peçonhentos.
Flor de cardeal (Apomoea quamoclitis L.): tem váriso empregos medicinais; contra veneno de cobra, escrofula, reumatismo; as folhas e flores torradas dão rapé contra dor de cabeça.
Flor de santa cruz (Symplocas platyphylla Mart.): também conhecida por sete sangrias; casca e raízes amargas, febrífugas.
Flor de são joão: ver cipó de são joão.
Folhas de santana (Veronia macrophylla Less.): arbusto ornamental.
Flor de são miguel (Petrea sub-serrata Cham.): também dita flor de viúva; é ornamental.
Flor de quaresma (Tibouchina mutabilis Cogn.): diz-se ainda quaresmeira, flor dos passos; a árvore cobre-se de flores.
Fungo sagrado: cactácea do México; produz euforia e alucinações.
Melão de são caetano (Suomordica charantia L.): trepadeira; frutos amarelos de sementes vermelhas comíveis, contra reumatismo e estomáquico.
Melão de são vicente: o mesmo que melão de são caetano.
Lignum sanctum: madeira da América Central.
Palma de santa maria: gladíolo de que há várias espécies.
Pau de santa luzia (Dalbergia sp.): leguminosas; o óleo das nozes emprega-se na iluminação.
Pau de santo (Cabralea cangerana Sald.): o mesmo que cangerana, de que há várias espécies; boa madeira.
Pau de são josé: o mesmo que pau de santo.
Quina de santa luzia (do gênero Exostema): inscreve-se na variedade de quinas com igual emprego.
Rosa de jericó (Odontospermum pygmaeum L.): a roseira é sub-arbusto; símbolo religioso.
Rosa de nossa senhora (Paeonia officinalis L.): arbusto conhecido também por peônia; ornamental, aromático, medicinal.
Sacra-ancora: assim eram denominados o ópio e sub-produtos, devido ao seu poder sedativo, esperança e alívio de sofredores.
* * *
A cada um dos nomes há ligeiríssima referência, somente no intuito de provar sua existência e nada mais. Na classificação científica, entre outros, foram consultados Huascar Pereira, F. C. Hoene, Pio Corrêa.
É apenas sucinta amostra de influência do sentimento religioso na denominação das plantas. Observa-se o mesmo em outros departamentos da linguagem.

