Adaptado de:
Camargo, Gentil de. "O diabo e os santos do mato". A Gazeta. São Paulo, 21 de maio de 1960, suplemento Folclore.

Ameixa de frade (buncosia): vegeta nas encostas dos Andes, onde se denominam ciruelas de fraile.

Angélica (gênero Crygium): há grande variedade: exótica, de jardim, angélica do mato ou angélica cheirosa, etc.

Árvore do céu (simarubacea): de grande porte; usa-se a casca como vermífugo e contra a febre puerperal.

Árvore do paraíso (Elaegans angustifolio): segundo F. C. Hoene, é denominação errada do sabugueiro.

Árvore do rosário (Melia asederach): árvore ornamental, cinamomo.

Árvore santa: desenvolvimento médio; a casca e raízes usam-se como opilação e como vomitivo.

Babado de nossa senhora (macrosiphonia): tóxica para o gado.

Barba de são pedro (Polygala brasiliensis Marb.): expectorante e vomitiva; produz saponina; encontra-se, entre outros, nos lugares úmidos da serra do Mar.

Beijo de frade (Impatiens balsamina L): há variedades; "a água provoca diabetes" (Huascar Pereira).

Casca da virgindade (Stryphnodendron barbatimao Mart.): barbatimão, dayb - árvore; ara - agente; tumon - que aperta; árvore de boa madeira e aromática; as folhas e as cascas em cozimento têm emprego conhecido.

Casta suzana (Polemen coerulem L.): planta de jardim.

Cevada santa (Hordeum distichon Lam.): tem o mesmo emprego da cevada.

Chá de frade (Lippia pseudo-thea Schauer.): arbusto de folhas aromáticas; peitoral e estimulante.

Cinco chagas (Troposlu majus L.): comem-se os frutos em conserva e as flores cruas em saladas.

Cipó de são joão (Pyrostegia vermusta Mers.): trepadeira ornamental.

Coração de jesus (Mykamia officinalis Mart.): também conhecido como erva de sapo; anti-febril.

Coração de frade: ver cordão de frade.

Cordão de frade (Leonurus sibiricus L.): tônico, excitante, contra reumatismo.

Cordão de são francisco (Leonotis nepetaefolis R. Br.): usado contra males dos rins e histeria.

Coroa de cristo (Paliurus aculeatus Lam.): arbusto espinhoso usado para cerca viva.

Coroa de frade (das mouririas): trepadeira; as sementes são usadas como adorno.

Erva de santo agostinho (Baccharis vulneraria Bak.): sub-arbusto; vulnerário.

Erva benta (Geun urbanum): herbacea; é aromática e comível.

Erva de santa luzia (Pistria stratioles L.): cresce sobre águas estagnadas.

Erva de santa maria (Chenopodium ambrosioides, L.): sub-arbusto; vermicida, emenagogo, abortivo.

Erva de são martinho (Sauvagesia erecta L.): estomáquica e anti-febril; contra oftalmia, retenção de urina e doenças dos pulmões.

Espinheira santa (gênero Maytenus): usada contra úlcera do estômago e hiperacidez.

Espinheiro de santo antônio: arbusto da família das leguminosas.

Fava de santo inácio (Ivillea trilobata L.): trepadeira; sementes drásticas e tóxicas.

Fava divina (simarubacea):o porte das sementes livra de animais peçonhentos.

Flor de cardeal (Apomoea quamoclitis L.): tem váriso empregos medicinais; contra veneno de cobra, escrofula, reumatismo; as folhas e flores torradas dão rapé contra dor de cabeça.

Flor de santa cruz (Symplocas platyphylla Mart.): também conhecida por sete sangrias; casca e raízes amargas, febrífugas.

Flor de são joão: ver cipó de são joão.

Folhas de santana (Veronia macrophylla Less.): arbusto ornamental.

Flor de são miguel (Petrea sub-serrata Cham.): também dita flor de viúva; é ornamental.

Flor de quaresma (Tibouchina mutabilis Cogn.): diz-se ainda quaresmeira, flor dos passos; a árvore cobre-se de flores.

Fungo sagrado: cactácea do México; produz euforia e alucinações.

Melão de são caetano (Suomordica charantia L.): trepadeira; frutos amarelos de sementes vermelhas comíveis, contra reumatismo e estomáquico.

Melão de são vicente: o mesmo que melão de são caetano.

Lignum sanctum: madeira da América Central.

Palma de santa maria: gladíolo de que há várias espécies.

Pau de santa luzia (Dalbergia sp.): leguminosas; o óleo das nozes emprega-se na iluminação.

Pau de santo (Cabralea cangerana Sald.): o mesmo que cangerana, de que há várias espécies; boa madeira.

Pau de são josé: o mesmo que pau de santo.

Quina de santa luzia (do gênero Exostema): inscreve-se na variedade de quinas com igual emprego.

Rosa de jericó (Odontospermum pygmaeum L.): a roseira é sub-arbusto; símbolo religioso.

Rosa de nossa senhora (Paeonia officinalis L.): arbusto conhecido também por peônia; ornamental, aromático, medicinal.

Sacra-ancora: assim eram denominados o ópio e sub-produtos, devido ao seu poder sedativo, esperança e alívio de sofredores.

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A cada um dos nomes há ligeiríssima referência, somente no intuito de provar sua existência e nada mais. Na classificação científica, entre outros, foram consultados Huascar Pereira, F. C. Hoene, Pio Corrêa.

É apenas sucinta amostra de influência do sentimento religioso na denominação das plantas. Observa-se o mesmo em outros departamentos da linguagem.