Trecho do livro Conhecendo a Madeira
O homem sempre impressionou-se com a diversidade de plantas ao seu redor. E passou a se beneficiar desta variedade, alimentando-se de frutos, folhas e sementes, curando-se com a seiva das plantas e confeccionando implementos para seu uso pessoal. A grande semelhança existente entre alguns vegetais impôs a necessidade de se criar uma denominação específica.
As plantas em qualquer região do mundo recebem um nome popular relativo à alguma propriedade que apresentam: sabor, cor da madeira, aspecto da casca, etc.
Entretanto, o nome popular ou nome vulgar varia de acordo com a localidade. Uma mesma árvore pode apresentar às vezes múltiplas denominações e isto dificulta o seu estudo pois nunca se teria certeza de estar tratando da mesma planta. Muitas tentativas foram feitas então para agrupar os vegetais de acordo com as suas características comuns.
Nomenclatura científica
Carollus Linnaeus, médico e naturalista sueco do séc. XVIII, propôs em seu livro Species plantarum, de 1753, um sistema de classificação binomial para denominar espécie.
Define-se espécie como um grupo de organismos com morfologia semelhante, capazes de intercruzarem-se e produzir descendentes férteis (apesar de que alguns carvalhos europeus conseguem cruzar entre si mesmo sendo espécies diferentes e produzir híbridos férteis).
A classificação binomial é um sistema internacionalmente aceito (atualmente regido pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica). De acordo com este método, duas palavras designam uma espécie. A primeira refere-se ao gênero e a segunda é chamada de epíteto específico.
O gênero reúne um grupo de espécies. O epíteto específico refere-se ao segundo vocábulo escrito após o gênero. Isoladamente não tem significado ou importância taxonômica, somente quando precedido do nome genérico.
Quanto ao idioma usa-se o latim para denominar as espécies botânicas, pois este não sofre mais variações.
A grafia do nome científico obedece a seguinte regra: apenas a primeira letra do gênero deve ser maiúscula e todas as demais minúsculas. O nome da espécie é seguido do nome do autor que pela primeira vez descreveu a planta. Gênero e epíteto específico devem ser escritos geralmente em caracteres "itálicos". Ex.:
Cedrela odorata L.
Neste caso Cedrela odorata é o nome da espécie, o gênero em que está incluída é Cedrela, o epíteto específico é odorata e o autor da descrição é Linnaeus (abreviado).
Pode se escrever o gênero de maneira abreviada (primeira letra maiúscula e ponto) a partir da segunda vez em que é citado no mesmo trabalho. Ex.:
C. odorataQuando a identificação de uma amostra é feita somente a nível de gênero escreve-se acrescenta-se "sp" após o nome genérico. Ex.:
Virola sp
Quando cita-se uma característica presente em todas as espécies de um gênero pode se empregar a seguinte forma:
Virola spp
O "spp" após o gênero indica que é comum à várias espécies.
Além do nome científico da espécie, há ainda uma sucessão hierárquica de agrupamentos (taxa): Reino, Divisão, Classe, Ordem e Família. Neste livro adotou-se para a classificação das espécies citadas o nome vulgar mais comum, seguido do nome científico e família.
Família - Refere-se a um agrupamento de gêneros. O nome científico da família a qual determinado gênero pertence deve ser escrito em caracteres normais, em geral com a primeira letra maiúscula e terminação em aceae (pronuncia-se "aceé"). Ex.:
Meliaceae (lê-se meliaceé)
Moraceae (lê-se moraceé)
É interessante lembrar que o nome de algumas famílias não terminam em "aceae" (Compositae, por exemplo).
Seguindo estas recomendações básicas, é possível supor que quando uma espécie for citada, tenha-se a certeza sobre qual planta está se estudando, mesmo que popularmente ela receba muitos nomes vulgares nas várias regiões em que habita.