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Madeiras da província do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX
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Francisco Tarcísio

 
Por Francisco Tarcísio
Published on 23/08/2008
 
Um perfil das espécies comerciais do Brasil antigo, publicado em 1941

Madeiras da província do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX
Publicado originalmente em:
RIBEYROLLES, Charles. Brasil Pitoresco; história; descrições; viagens; colonização; instituições. Biblioteca Histórica Brasileria, VI. São Paulo, Livraria Martins, 1941, v. 2

Mais de uma vez assinalamos as magníficas espécies florestais desperdiçadas no Brasil. Não é, pois, inútil indicar aqui as madeiras mais estimadas da província do Rio de Janeiro. Quase todos os nomes, da língua indígena, mudam conforme os municípios. As alterações são numerosas de um distrito a outro. Nada podemos garantir.

Pau-brasil: Apreciado pelas suas cores. Serve para a tinturaria.

Vinhático: Madeira amarela muito procurada para obras de talha. Flor de algodão e cabeça de boi.

Cedro: Estimada pelos entalhadores e marceneiros. Vermelho, claro e pardo.

Pimenta: Usada na carpintaria. Quase preta e avermelhada.

Cacunda: Esta possui a grande vantagem de não se contrair nem se empenar, o que a torna própria para uma porção de coisas, como postigos, tabuados de navios, etc. A cor é amarela ou preta. As madeiras de cor amarela são muito estimadas em marcenaria. A cacunda não engrossa tanto como a peroba, porém atinge a mesma altura.

Canela: Distinguem-se quatro espécies: a tassinua, a preta, a amarela e a canela fétida. Servem todas para carpintaria e são muito empregadas nas diversas necessidades do estaleiro.

Peroba: Madeira muito estimada para a construção de navio. Preferível talvez ao pinheiro. Altura prodigiosa que vai de 30 a 40 metros, medidos do chão aos primeiros galhos. No cimo tem, como diadema, uma espécie de ramalhete. Nas matas do senhor Manuel Francisco Simões (sertão de Cacimbas), vê-se uma dessas árvores, que não tem menos de dez metros de circunferência, cuja altura está na mesma proporção. Há três espécies de perobas, que, mais ou menos, se equivalem e só se distinguem pela cor: preta, amarela, quase branca.
Peroba vermelha: Variedade das precedentes, diferente delas, porque em vez de ser retos como as outras, os linhosos destra espécie curvam-se, crescendo. Esta propriedade faz com que sejam procuradas para certas partes da construção de navios. Em Campos, a peroba vermelha é conhecida pelo nome de sobro.

Grapiapunha: Madeira pesada e belíssima, semelhante à peroba. É também empregada nos navios, particularmente na quilha. Serve ainda na construção de carros, como excelentes raios de rodas. A cor desta madeira é amarela.

Jacarandá: Empregado na marcenaria, como o nosso palixandre. Variedade escuro, avermelhado e o cabiúna, superior aos outros.

Ipê: Madeira que pode substituir o guaiaco. Usada em peças mecânicas. Vermelho, preto, cor de tabaco e cor de carne.

Sapucaíba: Madeira de carpintaria. Dá um fruto saboroso.

Grama: Conserva-se bem na terra e serve para o fabrico de tinta preta. Encontra-se preta e avermelhada.

Tapinhoã: Madeira amarelada, de muito peso, apreciada na construção naval.

Araribá: Excelente madeira usada nas carpintarias e marcenarias. Não excede em grossura a oitenta centímetros. Vermelha e branca.

Louro: Para os entalhadores e o fabrico de remos. Pardo escuro e pardo claro.

Cerejeira: Para a construção de canoas. Vermelha e branca.

Óleo vermelho: Linda madeira de marcenaria. Bastante dura. Preferível ao acaju. Serve também para liteira e eixos de carros. Dá uma espécie de resina, da qual se extrai excelente bálsamo para dores e feridas. Vermelho claro e vermelho escuro.

Copaíba: Madeira que produz o óleo de copaíba.

Óleo pardo: Madeira de carpintaria muito prezada em Portugal., semelhante à nogueira, porém muito mais dura.

Jataí: Empregada em diversos trabalhos.

Sucupira: Procurada na construção naval e para eixos de carros.

Bicuíba: Boa para obras de carpintaria, entalhador e marcenaria. Vermelho e cor de rosa.

Pau-ferro: Mesmas cores e propriedades.

Graubú: Madeira de exportação. Serve para a marcenaria.

Piquiá: De duas cores: amarela, que imita o buxo, e branca, que imita o marfim.

Grumarim: O mesmo que o piquiá, quanto à cor, porém mais dura.

Imbira: Madeira de cuja fibra se trançam cordas.

Gurarema: As cinzas desta madeira servem para refinar o açúcar em razão da grande quantidade de potassa que encerram. Abarema, algodão, pitomba preta e amarela têm as mesmas propriedades.

Rochina ou Gurubu: Semelhante à madeira conhecida em França pelo nome de amaranto.

Tatajuba: De um lindíssimo amarelo. Dá uma tintura da mesma cor.