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Glossário
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Francisco Tarcísio

 
Por Francisco Tarcísio
Published on 21/09/2008
 
Este glossário é composto por palavras comumente utilizadas na identificação de madeiras.

Este glossário é composto por palavras comumente utilizadas na identificação de madeiras.

Agrupamento
Característica dos vasos do xilema de apresentarem-se solitários ou agrupados dois a dois, três a três (são chamados também de poros geminados ou múltiplos), formando cadeias paralelas às linhas radiais ou formando grupos numerosos (clusters), também chamados de poros em cacho.
       
Alburno
É a porção do tronco mais próxima a casca da madeira que mantém atividade fisiológica, em geral de coloração mais clara que o cerne (porção mais interna) e de menor durabilidade, devido a grande quantidade de substâncias nutritivas que acumula e que são atacadas por organismos xilófagos (que se utilizam da madeira como fonte alimentar).
       
Arranjo
Disposição especial com que os vasos distribuem-se no lenho. Pode ser tangencial (quando os vasos tangenciam as linhas radiais), oblíquo (quando os vasos estão distribuídos de maneira  inclinada em relação às linhas radiais) ou ainda dendrítico (quando assumem formato de chamas).
       
Camadas de crescimento
Evidência de incremento do lenho em função da atividade periódica do câmbio vascular. Este fenômeno está relacionado às estações climáticas, que desencadeiam a produção de hormônios (auxina e giberelina) que fazem as células crescerem mais ou não, dependendo das condições ambientais. As camadas podem ser também chamadas de anéis de crescimento e, em muitos casos, principalmente nas gymnospermas que proliferam em climas temperados, permitem estimar a idade da árvore através da contagem das camadas.
       
Canais secretores
Espaços intercelulares, cuja função é secretar resina, látex e gomas. Podem ocorrer no sentido axial ou radial. Os canais secretores podem ser facilmente visualizados em Pinus sp no plano transversal: sob o microscópio, apresentam-se circundados por células epiteliais de origem parenquimática. Muitas angiospermas também apresentam canais intercelulares.
       
Cerne
Porção comercial do tronco de árvores, que ocupa a região mais interna no fuste, em muitas espécies assumindo coloração escura devido a deposição de substâncias químicas, como taninos, resinas, lapachol, brasilina, hematoxilina e outras. Em relação ao alburno, o cerne é de maior resistência ao apodrecimento. Em algumas espécies, o cerne não apresenta diferença em relação  a coloração do alburno e é chamado nestes casos de cerne fisiológico. O cerne é o alburno envelhecido.
       
Espessamentos
Saliências localizadas de microfibrilas na parede interna da camada S3 que compõe as células dos elementos traqueais no xilema. Os espessamentos podem ser espiralados, em barras (chamadas de crássulas ou Barras de Sânio) ou, mais raramente do tipo calitrisóide (no gênero Callitris, Cupressaceae) e espessamentos denteados (identuras) que ocorrem nos traqueóides dos raios em certas Gymnospermas.
       
Estratificação
Efeito da divisão organizada das células do câmbio, gerando camadas de elementos celulares regularmente espaçados. Pode envolver apenas um ou vários tipos de células, podendo inclusive ocorrer estratificação total dos elementos do xilema. É uma característica visível a olho nu em muitas espécies e de importante valor para identificação de amostras de madeira.
       
Fibras
Células alongadas, imperfuradas, com pontoações areoladas nas suas paredes que são responsáveis pela resistência mecânica da madeira. As fibras são células características das angiospermas. Podem ser classificadas como fibras libriformes (que apresentam pontoações areoladas de diâmetro entre 4-9 micrômetros) e fibrotraqueóides (possuem pontoações que variam de 2-5 micrômetros, de dimensões geralmente menores no comprimento e no diâmetro).
       
Inclusões minerais
Formações minerais de carbonato ou oxalato de cálcio ou grãos de sílica que depositam-se, nas células do xilema, em geral nos raios ou fibras, podendo ocorrer também mais raramente em outros tipos de células. Os depósitos de cristais assumem variadas formas: drusas, cubos, poiliedros, acículas e até aglomerados areníticos. Quanto à sílica, seu grau de dureza assemelha-se ao do diamante. Em ambos os casos, representam um custo extra às serrarias que utilizam madeiras em que ocorrem inclusões minerais, pois necessitam empregar serras estelitadas para poder efetuar o desdobro.
       
Lume
Do latim lumen: luz ou abertura para passagem desta. É o espaço circundado pela parede celular nas células do xilema, visualizado com facilidade no plano transversal. O lume nas células de vaso podem estar obstruídos por tilos ou resina.
       
Medula
Porção central  do tronco, formada basicamente de células parenquimáticas, não lignificadas e de pouca resistência. Na medula encontram-se geralmente feixes vasculares.
       
Parênquima axial
Conjunto de células de tecido parenquimático do xilema, que ocorrem  em série vertical no tronco, poliédricas, imperfuradas, não lignificadas, responsáveis pelo armazenamento de substâncias nutritivas para o vegetal. O parênquima axial pode ser apotraqueal (quando não está associado aos vasos) ou paratraqueal (quando está associado aos vasos).
       
Parênquima radial
Conjunto de células dos raios de natureza parenquimática, que constitui o sistema de condução no sentido da casca para a medula nas árvores. As células do parênquima radial podem ser eretas (cujo maior eixo se dispõe verticalmente) ou procumbentes (quando o maior eixo está disposto no sentido horizontal).
       
Placa de perfuração
Estrutura terminal de contato entre os elementos de vaso geralmente em ângulo oblíquo e não perpendicular ao comprimento do vaso (em algumas espécies ocorrem de maneira perpendicular ao comprimento, principalmente nas espécies mais evoluídas). Podem ser formadas por uma única abertura (simples) ou compostas por vários compartimentos (múltiplas escalariformes ou em barras, reticulada e ainda foraminada).
       
Pontoações
Cavidades ou depressões que variam quanto a profundidade, extensão e estrutura, unindo-se aos pares nas paredes das células, separadas unicamente por uma membrana comum por onde realiza-se a comunicação entre células.
       
Porosidade
Característica que envolve a disposição e diâmetro dos vasos, melhor notada quando vista no plano transversal. A porosidade pode ser difusa (quando os vasos estão distribuídos de maneira regular em todo o lenho) ou em forma de anel (quando os vasos encontram-se distribuídos de forma concêntrica em torno do eixo da árvore).
       
Tilos
Excrescências de origem parenquimática que infiltram-se nos vasos através das pontoações, formando sacos membranosos que obstruem o lume da célula. A diferença de pressão no interior das células faz com que a parede de uma outra célula adjacente (parenquimática) penetre através das pontoações originando o tilo. Os tilos podem ter origem a partir de injúrias provocadas por microrganismos xilófagos, como um mecanismo natural que  evita a expansão do ataque, através do bloqueio das células.
       
Traqueídeo
Célula alongada, imperfurada, de contorno angular, com pontoações areoladas nas paredes, por onde circula a seiva. Os traqueídeos são as células características das gymnospermas e durante mais de 100 milhões de anos formaram o sistema de condução de substâncias e sustentação mecânicadas árvores mais antigas.
       
Vaso
Conjunto de células perfuradas nas extremidades, chamadas de elementos de vaso, com a função de condução de líquidos nos vegetais, característico das angiospermas. Os vasos formam um sistema especializado em condução, mais eficiente que os traqueídeos.
       
Xilema
Tecido complexo, formado por vários tipos de células, lignificado, característico dos vegetais. Do ponto de vista químico é composto basicamente por celulose, hemicelulose e lignina. Tem funções de sustentação e condução de líquidos e sais minerais. Nas gymnospermas é  formado por traqueídeos e parênquima radial, com algumas excessões que apresentam parênquima axial na forma de óleo-resina. Nas angiospermas o xilema é composto em geral por fibras, parênquima axial, parênquima radial, elementos de vaso e, em raros casos, por traqueídeos.